Da redação
A ordem de prisão preventiva contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, provocou insatisfação na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro discordou do procurador-geral Paulo Gonet, que solicitou mais tempo para analisar o pedido de prisão do ex-banqueiro nesta quarta-feira (5).
A divergência ficou evidente na decisão de Mendonça e pode gerar tensão durante o andamento do processo, segundo pessoas que acompanham a investigação. A PGR é responsável por denunciar os envolvidos nas fraudes, e eventuais lacunas nas apurações podem atrasar o desfecho do caso.
Interlocutores de Gonet afirmaram que o prazo para manifestação da PGR, dado pelo relator do processo, foi insuficiente diante do volume de material a ser analisado. Uma das petições chegou ao gabinete do procurador-geral no sábado, com prazo de 72 horas, enquanto outras duas foram recebidas apenas na segunda-feira, cada uma com 24 horas para resposta. Cada relatório tinha mais de 700 páginas.
Gonet destacou a necessidade de mais tempo para examinar os relatórios e afirmou que, antes disso, não poderia se posicionar favoravelmente aos pedidos cautelares da Polícia Federal. Mendonça, porém, negou o pedido do procurador-geral, alegando urgência, e determinou as prisões e mandados de busca e apreensão. O ministro lamentou a posição da PGR, afirmando que “as evidências dos ilícitos e a urgência estão fartamente reveladas”.
O relator ainda mencionou possíveis acessos indevidos a sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como a Interpol. Interlocutores de Gonet ressaltaram que, pelo material analisado, mensagens atribuídas a Vorcaro sobre um suposto assalto ao jornalista Lauro Jardim, do O Globo, eram de 2025, o que afastaria indicação de perigo iminente.






