Da redação
No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, cresce a reflexão sobre as múltiplas formas de existir feminina e a reivindicação pelo direito de escolher o próprio caminho. Uma das decisões em destaque é a de não ser mãe, atitude que tem ganhado visibilidade e reflete uma busca por autonomia e emancipação. “Durante muito tempo eu ouvi que o instinto materno iria aparecer, como se fosse inevitável. Mas percebi que minha realização está em outros projetos”, diz Juliana Souza, 33 anos, ao Jornal de Brasília.
Dados do Censo 2022, do IBGE, mostram que o Brasil vive uma mudança demográfica histórica, com a menor taxa de fecundidade já registrada: 1,6 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional (2,1 filhos). Em 1960, a média era de 6,3 filhos por mulher; em 2000, 2,4. O aumento da escolaridade, maior participação no mercado de trabalho e novos projetos de vida impulsionam essa transformação.
A proporção de mulheres que chegam ao fim da vida reprodutiva sem filhos também aumentou: passou de 10% em 2000 para 16,1% em 2022 entre brasileiras de 50 a 59 anos. “Construí minha trajetória investindo em mim. Isso também é plenitude”, relata Daniela Ribeiro, 47 anos. Ela observa que a escolha ainda desperta surpresa e ressalta a importância do respeito aos diferentes desejos femininos.
Apesar das mudanças, a maternidade segue vista como etapa obrigatória em muitos contextos, segundo a psicóloga Ludymila Santana, do UniCEUB. Para ela, a construção da identidade feminina esteve ligada tradicionalmente à maternidade, mas cada vez mais mulheres reivindicam o direito de decidir sobre esse aspecto de suas vidas.
Ludymila destaca que a pressão social persiste, especialmente após os 30 anos, trazendo culpa e dúvidas para muitas. “A sociedade ainda tenta convencer as mulheres de que existe apenas um modelo de felicidade. Mas a felicidade também pode estar na liberdade de escolher uma vida diferente”, conclui a empresária Sônia, 53 anos.





