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Nicarágua: relatório evidencia rede de vigilância, repressão e desvio de verbas

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Da redação

Um relatório do Grupo de Especialistas em Direitos Humanos da ONU acusa o governo da Nicarágua de financiar a repressão a opositores por meio do desvio ilegal de fundos públicos e de perseguir exilados nicaraguenses com uma rede transnacional de vigilância. O documento, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, pede que o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo garanta a prestação de contas e restaure direitos e espaço cívico.

Segundo Jean-Michael Simon, presidente do grupo, a repressão política na Nicarágua é “financiada pelo Estado, executada por meio de suas instituições e estendida além das fronteiras para garantir que ninguém se oponha ao regime”. O relatório baseia-se em dezenas de entrevistas e extensa documentação, apontando que, desde 2018, recursos públicos vêm sendo desviados para operações violentas de segurança e atividades do partido governista, a Frente Sandinista de Libertação Nacional.

O desvio de fundos envolveu recursos originalmente destinados à assistência social e projetos públicos, agora usados para reprimir protestos e financiar grupos armados pró-governo. Reed Brody, integrante do grupo, afirma que a repressão “não é improvisada – ela é estruturada e financiada de forma corrupta”.

O relatório detalha ainda uma rede transnacional de inteligência e retaliação. Centenas de milhares de exilados foram alvos de assédio, perda de nacionalidade — 452 pessoas tornaram-se apátridas —, confisco de bens e até represálias a familiares. O documento cita o assassinato de Roberto Samcam, crítico do governo, em junho de 2025, na Costa Rica, e o envolvimento de altos diplomatas, como Valdrack Jaentschke Whitaker, na repressão fora do país.

A ONU destaca ainda o impacto de gênero da repressão, atingindo defensoras de direitos humanos, jornalistas e a comunidade LGBTIQ+. O grupo pede medidas urgentes, inclusive libertação de presos políticos, fim das leis restritivas e acesso irrestrito de organismos internacionais para monitorar a situação dos direitos humanos no país.