Da redação
Em 2023, 1.248 homens mataram 1.568 mulheres no Brasil, das quais 62,6% eram negras e 66,3% foram assassinadas dentro de casa. Os números foram debatidos nesta quarta-feira (11) na comissão do Congresso Nacional de combate à violência contra a mulher. A reunião, presidida pela deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), destacou a subnotificação dos casos e a necessidade de ações urgentes. “Essas estatísticas envergonham o país inteiro e pedem ação”, afirmou a deputada, usando dados do DataSenado para embasar políticas públicas.
Durante o debate, todas as participantes ressaltaram o papel do Ligue 180, central nacional de denúncias. Ellen dos Santos Costa, coordenadora-geral do serviço, afirmou que o Ligue 180 é uma “porta de saída do ciclo de violências” e destacou que 30% das denúncias atualmente já são feitas por terceiros ou de forma anônima.
A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, frisou a gravidade da violência política de gênero. “Não existe democracia de nenhuma natureza se não houver igualdade de gênero”, declarou, reforçando que o feminismo é um projeto social que visa eliminar a desigualdade.
Rúbia Abs da Cruz, do Consórcio Lei Maria da Penha, alertou para o aumento de todas as formas de violência — física, psicológica, sexual, digital — e anunciou que o movimento de mulheres, em parceria com o ministério, trabalha numa proposta de lei para combater a violência digital. Juliana Brandão, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforçou a vulnerabilidade das mulheres negras, que compõem 62,6% das vítimas.
Sandrali Campos Bueno, vice-presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, defendeu a proteção da autonomia corporal das mulheres e políticas públicas construídas com a participação das vítimas. “A transformação não será completa se não alcançarmos também aqueles que foram socializados para dominar”, declarou. Também participaram do debate Schuma Schumaher, Margareth Rose e Marina Andrade, representantes de movimentos de mulheres.








