Início Distrito Federal Cristiane Britto cobra anulação de contrato de professor condenado por feminicídio

Cristiane Britto cobra anulação de contrato de professor condenado por feminicídio

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Ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos requer à Secretaria de Educação do Distrito Federal medidas rigorosas contra admissão de agressor em escola pública

A ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Cristiane Britto, apresentou requerimento formal à Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) solicitando a imediata anulação do contrato de trabalho do professor temporário Igor Azevedo Bomfim, lotado no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Cidade Estrutural.

O documento, protocolado nesta terça-feira, 10 de março de 2026, traz à tona uma questão de extrema gravidade que afeta a segurança e o bem-estar da comunidade escolar.

Conforme amplamente divulgado pela imprensa, Igor Azevedo Bomfim é réu confesso pelo feminicídio de sua ex-namorada, Mayara de Souza Lisboa, ocorrido em 2 de novembro de 2010, em Santa Rita de Cássia, na Bahia.

Condenado a 10 anos, 10 meses e 18 dias de prisão em 2019, o professor foi admitido na rede pública de ensino do Distrito Federal, após aprovação em processo seletivo para professor substituto temporário no início do ano letivo de 2026.

“A presença do docente na instituição gerou um clima de insegurança e indignação entre os profissionais da educação, especialmente entre as professoras, que relatam medo de conviver com o agressor confesso. A comunidade escolar foi tomada por sentimento de pavor e pânico com a contratação”, explica Cristiane Britto.

Em seu requerimento, a ex-ministra defensora dos direitos das mulheres, solicita não apenas a anulação do contrato, mas também a instauração de procedimento administrativo para apurar falhas no processo seletivo e responsabilizar os agentes públicos envolvidos na aprovação da candidatura.

Cristiane Britto requer ainda a revisão e aprimoramento dos critérios de seleção para contratação de profissionais da educação, com inclusão de exigências rigorosas quanto à idoneidade moral e verificação obrigatória de antecedentes criminais, especialmente em crimes de violência contra a mulher, violência doméstica, feminicídio e crimes sexuais.

“A contratação representa um grave retrocesso no combate à violência contra a mulher e uma violação dos direitos constitucionais de crianças e adolescentes. A administração pública, pautada pelos princípios da moralidade, eficiência e supremacia do interesse público, tem o dever de zelar pela segurança e bem-estar da comunidade escolar”, afirma Cristiane.

O requerimento também solicita a criação de protocolo de segurança e acolhimento para alunos, professoras e demais profissionais que se sentirem ameaçados, incluindo apoio psicológico e medidas de proteção. Por fim, pede a implementação de ações e projetos pedagógicos nas escolas da rede pública do Distrito Federal voltados para prevenção e combate à violência contra a mulher, em consonância com as diretrizes da Lei Maria da Penha.