Da redação
As pesquisas eleitorais recentes apontam um cenário de empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um possível segundo turno. O contexto político atual encontra-se ainda mais acirrado devido à aproximação das eleições, às disputas regionais e ao escândalo do Banco Master, explorado por opositores e pela mídia para desgastar o governo e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), analisou os números e estratégias dos candidatos. Segundo Ramirez, o empate representa um “sinal de alerta”, mas ressalta que Flávio Bolsonaro, até agora, não apresentou suas propostas ao público. “Flávio Bolsonaro é o candidato em silêncio, que apenas herdou o capital político do pai”, destaca o professor.
Ramirez afirma que parte do apoio a Flávio vem de um eleitorado moderado, que enxerga Lula como “radical”. Para ele, essa percepção tende a mudar quando a campanha começar, pois Flávio será obrigado a se manifestar sobre temas como o 8 de Janeiro e as políticas do governo anterior. “Essa visão adquirida por Flávio Bolsonaro tende a evaporar”, avalia.
O cientista político aponta ainda que, entre os filhos de Jair Bolsonaro, Flávio representa o centrão e tem perfil mais moderado, o que pode gerar desconfiança nos bolsonaristas mais radicais, que “vão pedir cada vez mais radicalização”. Para Ramirez, o eleitorado indeciso, estimado em até 2%, além dos 10% de brancos e nulos, tende a migrar para Lula à medida que o debate se intensifique.
Ao comentar sobre a disputa para o Senado em São Paulo, Ramirez destaca a liderança de Simone Tebet nas pesquisas, embora veja uma atuação “tímida” como ministra. Ele chama atenção para o perfil conservador do eleitorado paulista e não descarta o crescimento de nomes da extrema-direita, como Ricardo Salles e Derrite. Sobre Geraldo Alckmin, com boa posição nas pesquisas, Ramirez diz que o futuro político do vice-presidente dependerá de suas ambições para 2030.








