Da redação
Os Estados Unidos querem concluir em poucos meses a investigação baseada na Seção 301, que abrange cerca de 60 países, incluindo o Brasil. O processo, anunciado em 13 de junho pelo representante comercial Jamieson Greer, tem foco no combate ao trabalho forçado e busca corrigir distorções no comércio global, segundo explicou o diplomata em entrevista à CNBC.
A Seção 301 permite que Washington imponha tarifas a países que violem acordos comerciais, ameaçando o Brasil com possíveis novas cobranças. A legislação exige, porém, que os países investigados apresentem suas justificativas: eles têm prazo até 15 de abril para se manifestar, com audiências previstas para 28 de abril, conforme cronograma do Escritório do Representante Comercial dos EUA.
Greer declarou que as conclusões podem resultar em acordos bilaterais, mas advertiu: “Se os países não quiserem negociar, poderemos impor novas tarifas ou multas”. Para especialistas, como Ryan Cummings, economista-chefe do Instituto para Pesquisa de Política Econômica de Stanford, a amplitude da investigação é incomum e pode enfrentar entraves jurídicos e práticos, já que normalmente processos da Seção 301 focam em produtos ou setores específicos de um único país.
Cummings pondera que é necessário comprovar o uso de trabalho forçado — justificativa central do governo americano — e que grandes empresas importadoras americanas podem recorrer à Justiça caso as tarifas impactem preços e cadeias de abastecimento. Ele destaca ainda que tarifas elevadas pressionam a inflação e podem ganhar relevância no debate eleitoral doméstico.
No contexto internacional, a ação ocorre em meio a tensões geopolíticas e aumento dos custos de energia, agravados, por exemplo, pela crise no Irã. Para o Brasil, que já responde a outras investigações americanas, a nova ofensiva amplia a incerteza nas relações comerciais com os EUA.






