Da redação
O jornalista Diogo Schelp defende a moderação e o diálogo como formas eficazes para combater o extremismo político, conforme expõe no livro “Nem Comunista, nem Fascista: Guia de Resistência para Moderados”. Schelp reforça que o extremismo, segundo o cientista político Cas Mudde, implica rejeição à soberania popular, à ordem constitucional e à democracia, buscando substituir regimes democráticos por ditaduras.
O autor destaca que o radicalismo gera consequências graves mesmo antes de ameaçar de fato as instituições, como a incitação à violência política, citando tentativas de atentado com bomba em Brasília em dezembro de 2022 e a depredação dos prédios dos três Poderes em 2023. Schelp recomenda o diálogo, mediação de conflitos e gradualismo, defendendo a civilidade e prudência no confronto com radicais.
A experiência pessoal de Schelp, que já foi editor-executivo da Veja e comentarista da Jovem Pan News durante o governo Jair Bolsonaro, reforça sua defesa da moderação. Ele relata ter recebido mensagens de ouvintes bolsonaristas que, após seus argumentos, decidiram vacinar a família durante a pandemia, entendendo não precisar adotar todo o discurso da direita radical.
No entanto, Schelp reconhece limites para a moderação. Ele questiona se o gradualismo seria adequado diante de temas como escravidão ou direitos civis, lembrando a crítica de Martin Luther King à preferência pela ordem em detrimento da justiça. Assim, sugere que, em certos casos, é necessário até “moderar a moderação”.
Apesar de valorizar o diálogo, o livro alerta para os riscos de igualar discursos e atitudes de diferentes espectros políticos, como ao tratar Lula e Bolsonaro como equivalentes em retórica nas eleições de 2022, lembrando que apenas um foi condenado por conspirar contra a democracia. Schelp conclui que a defesa da democracia exige princípios firmes e, às vezes, intransigência contra extremismos.







