Início Brasil Banco Master: gestão fraudulenta limita atuação de auditores, dizem debatedores

Banco Master: gestão fraudulenta limita atuação de auditores, dizem debatedores


Da redação

Durante audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) nesta terça-feira (17), especialistas afirmaram que auditores independentes enfrentam barreiras para identificar fraudes quando a alta administração está envolvida. A reunião faz parte do grupo de trabalho que acompanha investigações sobre as fraudes no Banco Master. O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), destacou a importância das auditorias para proteger investidores e reforçar a confiança por meio da transparência dos dados.

A Polícia Federal e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investigam um esquema de manipulação financeira supostamente comandado por gestores do Banco Master. O senador Esperidião Amin (PP-SC) solicitou propostas para melhorar a detecção de “ativos podres”, citando como exemplo a supervalorização de ativos do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que teriam sido avaliados em R$ 850 milhões e depois registrados como R$ 6 bilhões no patrimônio do banco.

Fabio Pinto Coelho, da CVM, defendeu um regime jurídico específico para a precificação de ativos financeiros de difícil avaliação, destacando a necessidade de profissionais capacitados e responsabilidades claras. O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) questionou a qualificação dos auditores, ao que Joaquim de Alencar Bezerra Filho, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), respondeu citando rigorosa certificação e capacitação da categoria.

O diretor técnico do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil, Rogerio Lopes Mota, afirmou que auditores só acessam informações aprovadas pela diretoria e que fraudes envolvendo entidades externas, como fundos de investimento, dificultam a detecção. Bezerra ressaltou que erros de auditoria são raros e geralmente refletem falhas anteriores na fiscalização empresarial.

Bezerra e Mota apoiaram o PL 2.581/2023, que prevê recompensas a informantes de delitos financeiros. Antoninho Marmo Trevisan, da Trevisan Escola de Negócios, lembrou que auditores não são policiais, mas garantidores de conformidade com normas, e que seus relatórios devem ser destinados a supervisores e órgãos reguladores.