Início Brasil Leandro Grass sobre gestão no Iphan: “está mais perto das pessoas”

Leandro Grass sobre gestão no Iphan: “está mais perto das pessoas”


Da redação

O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, apresentou nesta semana um balanço de sua gestão à frente da autarquia, ressaltando os desafios trazidos pelas mudanças climáticas à preservação histórica. Em coletiva na sede do instituto, Grass sublinhou que a conservação não se opõe à inovação tecnológica e destacou ações em conjunto com prefeituras para reforçar a resiliência urbana. Um dos exemplos citados foi a atualização de normas para instalação de placas solares em imóveis históricos, em cidades como Diamantina (MG). 

Grass alertou que o patrimônio imaterial enfrenta riscos ainda maiores, como impacto nas comunidades tradicionais e na sua cultura culinária. Márci​​o Tavares dos Santos, secretário-executivo do Ministério da Cultura, lembrou que as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, foram um marco ao integrar o patrimônio histórico às pautas de recuperação da Defesa Civil. Ele citou ainda o seminário internacional realizado no G20 de 2025, que debateu soluções conjuntas para proteção do patrimônio.

Entre as ações, destaca-se o projeto “Conviver”, que incentiva a gestão do patrimônio por pessoas de baixa renda em imóveis tombados. Segundo o Iphan, houve um recorde de investimentos em patrimônio imaterial, com R$ 44 milhões aplicados, outros R$ 4 milhões em prêmios para preservação, a reforma do Palácio Capanema (R$ 84 milhões) e R$ 6 milhões para educação patrimonial.

De 2023 a 2026, o Iphan realizou 37 novos reconhecimentos de patrimônio, mais da metade dos 71 registrados na última década. Grass atribui a ausência de ações em seu primeiro ano à necessidade de reorganização institucional após “tudo muito largado” e à recuperação da autoestima do órgão, destacando ainda o trabalho de restauração após o 8 de janeiro de 2023, incluindo reparos no STF e praças dos Três Poderes.

Grass, que deixa o cargo em abril, apontou Brasília como símbolo da atuação do Iphan, por ter a maior área tombada do mundo (112,25 km²), mas frisou o trabalho feito além do Plano Piloto, como em escolas públicas do DF. Ao encerrar, destacou a importância do diálogo com gestores de todas as esferas, independentemente de partidos, e celebrou a experiência como a maior de sua carreira.