Da redação
Entre janeiro de 2025 e março de 2026, o Distrito Federal registrou 1.586 denúncias relacionadas ao golpe do “falso advogado”, segundo a diretoria de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Distrito Federal (OAB-DF). As denúncias são, em geral, acompanhadas de boletim de ocorrência, prints de conversas, números de telefones usados pelos golpistas e registros de acessos indevidos aos sistemas de processos judiciais.
De acordo com a OAB-DF, os boletins de ocorrência foram feitos em 26 delegacias do DF, o que demonstra a dispersão territorial das fraudes. O golpe ocorre quando criminosos utilizam dados reais de processos para obter pagamentos, prometendo falsamente a liberação de créditos judiciais.
Entre os casos destacados, uma quadrilha causou prejuízo de R$ 1,4 milhão, enganando ao menos 30 pessoas no DF com exigências de transferências imediatas referentes a supostos custos judiciais e honorários. Uma moradora de 65 anos perdeu mais de R$ 500 mil após golpistas utilizarem credenciais de advogados obtidas irregularmente, logotipos e perfis verdadeiros para dar legitimidade ao contato.
Os criminosos também acessavam sistemas do Poder Judiciário com senhas vazadas e inventavam propostas para enganar as vítimas. Em outro caso, pelo menos oito pessoas tiveram juntas prejuízo de cerca de R$ 50 mil no DF.
A alta incidência coincide com o avanço, na Câmara dos Deputados, do projeto de lei que tipifica o golpe do “falso advogado” no Código Penal. Aprovado na terça-feira (17/3), o texto prevê pena de 4 a 8 anos de prisão por se passar por advogado e de 2 a 6 anos para quem usar credenciais para acessar dados sigilosos. O exercício ilegal da advocacia também pode resultar em detenção de 1 a 3 anos. O projeto segue para o Senado.







