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Aquecimento global faz cientistas mudarem análise do El Niño


Da redação

A Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) revisou a metodologia de análise do El Niño diante do aumento histórico das temperaturas oceânicas atribuídas ao aquecimento global. Tradicionalmente, o El Niño é identificado pelo aquecimento anormal do Pacífico equatorial, enquanto o La Niña ocorre com o resfriamento dessas águas. A neutralidade é registrada quando as temperaturas permanecem dentro da média.

Desde 1º de fevereiro, a Noaa passou a descontar, nos cálculos, o excesso de calor oceânico gerado pelas mudanças climáticas, aplicando o chamado “índice relativo de temperatura da superfície do mar”. Segundo a agência, o índice refletiu melhor, no último ano, a intensidade das alterações atmosféricas associadas aos ciclos El Niño e La Niña.

Com o novo método, trimestres antes classificados como El Niños fracos passaram a ser considerados períodos neutros, enquanto as ocorrências de La Niña aumentaram. “Se usarmos esse indicador para calcular El Niños passados, eles provavelmente não serão tão intensos, já que muitas medições estavam ‘contaminadas’ pelo fato de o oceano já estar mais quente”, explica Tércio Ambrizzi, meteorologista e diretor do IEA-USP.

Especialistas apontam que o novo índice precisará ser testado. “Ainda é cedo para saber se ele refletirá mais realisticamente os eventos”, pondera Ambrizzi. Regina Rodrigues, oceanóloga da UFSC, propõe comparação entre o método antigo e o atual para avaliar impactos, já que o aquecimento geral dos oceanos pode causar efeitos atmosféricos mesmo sem El Niño.

A Noaa prevê transição para temperatura neutra no Pacífico em maio, com 62% de chance de um novo El Niño entre junho e agosto, podendo persistir até o fim de 2026. A intensidade permanece incerta. O observatório europeu ECMWF também prevê possível início do fenômeno ainda em maio, mas não informou se adotará o novo modelo da Noaa.