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Sem confirmar viagem aos EUA, Lula tenta usar Celac contra intervenções de Trump


Da redação

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, prevista para março, segue sem data definida devido à falta de resposta da Casa Branca à diplomacia brasileira. Enquanto aguarda um sinal de Washington, Lula articula alianças com líderes latino-americanos para se posicionar contra o intervencionismo do ex-presidente Donald Trump na região.

Neste fim de semana, Lula participa na Colômbia da cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e do 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, considerado o encontro mais esvaziado da história da Celac: dos 33 países-membros, apenas quatro líderes confirmaram presença, incluindo o anfitrião Gustavo Petro, o presidente do Uruguai Yamandú Orsi, e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Godwin Friday. Entre os convidados africanos, apenas Évariste Ndayishimiye, do Burundi e representante da União Africana, estará presente.

O objetivo do encontro é reafirmar oposição às intervenções americanas e fortalecer a Celac diante do esvaziamento crescente, que ameaça sua continuidade como obstáculo aos interesses dos EUA na região. A preocupação do governo Lula concentra-se especialmente na situação de Cuba, diante de ameaças recentes de Trump sobre “tomar o regime” cubano e da crise agravada por apagões que prejudicam serviços essenciais no país.

Na última sexta-feira, após relatos de tentativas americanas de remover o presidente cubano Miguel Díaz-Canel, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossio, negou qualquer negociação do sistema político ou do mandato presidencial. Cossio confirmou, porém, que há conversas com os EUA sobre o bloqueio petrolífero imposto por Trump.

O governo brasileiro reconhece divergências internas entre aliados de Trump: enquanto há setores resistentes ao diálogo com Lula, interesses comerciais e pragmáticos motivam outros. Diplomatas veem avanço na identificação de interlocutores mais receptivos, mas recentes ações americanas, como a classificação de facções brasileiras como terroristas e a reunião “Escudo das Américas”, são interpretadas como reação do grupo mais radical que apoia Trump.