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Advogado ligado a Lula critica PF ao defender Lulinha: ‘Eles atiram a flecha e pintam o alvo’


Da redação

O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e amigo do presidente Lula (PT), criticou duramente a atuação da Polícia Federal (PF) nas investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, suspeito de ligação com fraudes no INSS. Carvalho classificou como “criatividade” a busca de ilícitos que, segundo ele, não existem, e qualificou o vazamento de informações do caso como criminoso. Apesar das críticas, afirmou confiar na corporação e em seu diretor-geral, Andrei Rodrigues.

Em entrevista à Folha de S.Paulo na sexta-feira (20), Carvalho alegou que, diferentemente do governo Jair Bolsonaro (PL), não existem tentativas de interferência do governo Lula na PF atualmente. Entretanto, avaliou que integrantes da Polícia Federal não estão cumprindo seu papel de maneira republicana. “A Polícia Federal está em disputa, reflexo da sociedade ainda dividida pelo ódio e pela intolerância”, afirmou.

Carvalho negou veementemente que Lulinha tenha recebido qualquer quantia do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, envolvido no esquema de descontos indevidos em aposentadorias. “Não há qualquer tipo de repasse, de forma direta ou indireta”, disse. O advogado também rebateu suspeitas sobre o valor de R$ 300 mil mensais e o suposto uso de uma empresa e viagens para encobrir transações ilícitas, destacando que a quebra de sigilo bancário não revelou transferências nesse sentido.

A defesa ainda afirmou que a movimentação de R$ 19,5 milhões em contas de Lulinha, mencionada pela PF, seria, na verdade, de cerca de R$ 5 milhões em quatro anos, resultado de herança e empréstimos. Carvalho negou qualquer intenção de evasão de divisas, relatando que a mudança de Lulinha para Madri vinha sendo planejada desde 2023, antes do início das investigações.

Por fim, Carvalho destacou a postura de Lula, que, segundo ele, difere da do ex-presidente Bolsonaro por não blindar familiares. “Se a oposição achava que tinha uma bala de prata, talvez agora tenha se dado conta de que tem uma bala de festim”, concluiu. A Polícia Federal não comentou as declarações.