Da redação
A recente prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD), em 11 de março, durante investigações sobre sua campanha eleitoral em Gardênia Azul, evidenciou as dificuldades em fazer política em áreas sob domínio do crime organizado na Região Metropolitana do Rio. Salvino foi acusado pela Polícia Civil de negociar quiosques com traficantes do Comando Vermelho para obter votos em 2024. O vereador nega as acusações e foi solto por falta de provas pelo Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ).
Segundo o Mapa Histórico dos Grupos Armados (2024), divulgado pelo Geni/UFF, mais de 4 milhões de pessoas, ou 34,9% da população da região, vivem sob influência direta ou indireta de grupos armados, que controlam 18,1% da área urbanizada. Entre 2007 e 2024, a população afetada cresceu 59,4%, e a área total sob influência subiu 130,4%. Atualmente, as milícias controlam 49,4% do território, enquanto o Comando Vermelho lidera em áreas de controle consolidado, com 47,5%.
O deputado estadual Professor Josemar (PSOL), eleito em 2022 com 28.409 votos, destaca os desafios de “romper o curral eleitoral imposto pelo crime, que substitui o debate de ideias pelo controle territorial baseado no terror”. Para ele, o domínio de facções e milícias resulta no “sequestro da soberania popular”, perpetuando um ciclo de clientelismo e violência e limitando a liberdade de escolha dos eleitores.
A situação não se restringe à capital. O deputado Sergio Fernandes (PSD), suplente em 2022 e atualmente na Alerj, relata problemas semelhantes em Petrópolis. “O crime impõe limites, intimida e tenta controlar quem pode circular e fazer campanha. Onde o Estado falha, o crime ocupa. Segurança pública deve garantir liberdade”, afirmou.
O especialista Pablo Nunes, do CESeC, ressalta que esse quadro é histórico no Rio e persiste por interesses políticos ligados ao controle territorial. Segundo ele, a impossibilidade de campanhas e escolhas políticas livres nas áreas dominadas é “um obstáculo fundamental para a essência da democracia”.







