Da redação
O Escritório de Direitos Humanos da ONU na Colômbia registrou 972 assassinatos de defensores de direitos humanos entre 2016 e 2025. Os números fazem parte de relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Suíça. Especialistas indicam que os homicídios estão ligados a ameaças, ataques, deslocamentos forçados e violência estrutural contra ativistas, e que não se tratam de casos isolados.
A média anual é de 100 ativistas mortos, o que coloca a Colômbia entre os países mais letais do mundo para quem atua em defesa dos direitos humanos. De acordo com o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, embora o governo colombiano tenha adotado medidas importantes, “é preciso fazer mais”. Turk destacou o lançamento de um diálogo de alto nível com a sociedade civil e ações imediatas de prevenção como avanços relevantes.
Apesar de acordos de paz firmados em 2016 entre o governo e as Farc-EP, o relatório aponta aumento gradativo nos assassinatos de defensores. O documento relaciona esta tendência à atuação de criminosos em áreas antes controladas pelas Farc-EP, onde o Estado enfrenta dificuldades para manter presença efetiva.
Entre 1º de janeiro de 2022 e 31 de dezembro de 2025, foram registrados 410 homicídios de defensores de direitos humanos, sendo 23% indígenas. Afrodescendentes, camponeses, mulheres ativistas e integrantes de grupos LGBTQIA+ também figuraram entre as vítimas. Mais de 70% dos crimes foram atribuídos a atores armados não-estatais ligados a tráfico de drogas, mineração e extração ilegal, e tráfico humano.
Segundo o relatório, altos índices de impunidade, instituições frágeis e corrupção contribuem para perpetuar esse cenário de violência na Colômbia. Para Volker Turk, sem tornar o combate à violência uma prioridade de Estado, o país continuará sendo perigoso para defensores de direitos humanos.





