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Argentinos lotam praça de Maio e criticam Milei em ato relembrando 50 anos do golpe militar


Da redação

Manifestantes ocuparam ruas emblemáticas nos arredores da Casa Rosada, em Buenos Aires, nesta terça-feira (24), para marcar os 50 anos do golpe militar argentino. O ato, conhecido como 24M – Dia da Memória –, reuniu multidões na histórica praça de Maio, local simbólico de resistência das Mães de desaparecidos durante a ditadura.

O evento foi marcado por faixas, retratos de desaparecidos e manifestações de diversos grupos políticos e sociais. Gritos de “são 30 mil desaparecidos, todos presentes” ecoaram, enquanto pais levavam crianças e estudantes se juntavam a idosos. A homenagem incluiu também vítimas brasileiras da repressão, como o músico Francisco Tenório Cerqueira Júnior, sequestrado em março de 1976.

Adversários políticos, como Horacio Rodríguez Larreta e Sergio Massa, condenaram os crimes do regime militar. Intelectuais, artistas e representantes de entidades de direitos humanos também estiveram presentes, criticando o atual governo de Javier Milei por relativizar o golpe e o número de desaparecidos. Um documento lido no ato, assinado por Avós e Mães da Praça de Maio, reiterou: “a memória é defendida pela luta”.

Desde a volta da democracia, em 1983, é a primeira vez que a presidência argentina insiste na chamada “teoria dos dois demônios”, equiparando a ditadura a grupos que a enfrentaram. O governo Milei divulgou vídeo defendendo uma “memória completa”, incluindo vítimas de organizações armadas de esquerda.

Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, ressaltou a busca por quase 300 pessoas com identidades alteradas na infância e lembrou que 140 netos já foram identificados. O ato terminou com críticas ao modelo econômico da ditadura e à aliança com os EUA, destacando a resistência popular e o direito à memória.