Da redação
Um novo relatório da ONU, divulgado nesta segunda-feira (9), aponta a expansão do controle de gangues violentas sobre rotas marítimas e terrestres essenciais no Haiti. O documento, apresentado pelo Escritório de Direitos Humanos em Genebra, destaca que a polícia haitiana tem recorrido ao uso “desnecessário e desproporcional de força letal, incluindo execuções sumárias”.
Segundo o relatório, ao menos 26 gangues operam com altos índices de violência em Porto Príncipe e regiões vizinhas, forçando o deslocamento de cerca de 1,4 milhão de pessoas. Em 2023, mais de 55 mil pessoas morreram devido à violência contínua. Em 2024, as operações de gangues avançaram para além da capital, chegando às regiões de Artibonite e Centre.
As gangues mantêm o domínio sobre corredores estratégicos, sustentando sua estrutura financeira com roubo, extorsão, sequestros e tráfico de pessoas em postos de controle ilegais. Também praticam execuções brutais, como queimar vítimas associadas à polícia ou que desafiam sua autoridade. O documento revela que grupos de autodefesa e empresas privadas de segurança participam dos confrontos, utilizando até drones e helicópteros.
A polícia haitiana foi responsabilizada por até 250 casos de execuções sumárias ou tentativas, muitas vezes contra suspeitos de ligação com as gangues. Não há registros de investigações judiciais sobre a legalidade dessas ações.
A ONU reitera que restabelecer a segurança é essencial, porém insuficiente. Defende avanços em governança, justiça e serviços sociais, com maior apoio internacional para romper o ciclo de violência. Desde 2025, a Força de Supressão de Gangues, com previsão de 5 mil agentes e apoio logístico da ONU, atua em apoio ao recém-criado Escritório de Apoio das Nações Unidas no Haiti.





