Da redação
Um terço dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos já sentiu vontade de se machucar de propósito, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE. Entre as meninas, esse índice chega a 43,4%, mais que o dobro do registrado entre meninos, que foi de 20,5%. O levantamento, feito com mais de 118 mil alunos de escolas públicas e privadas em 1.282 cidades, mostra ainda que a vontade de automutilação é mais frequente entre adolescentes de 13 a 15 anos (32,7%) do que entre aqueles com 16 e 17 anos (30,7%).
A região Norte apresentou o maior percentual de jovens que manifestaram esse sentimento (34,5%), enquanto o Sudeste teve o menor índice (31,3%). A pesquisa de 2024 é a primeira realizada após a pandemia e serve de base para comparar os efeitos da crise sanitária no comportamento dos estudantes.
O estudo revela também que meninas relatam mais sofrimento emocional: 33,3% disseram que, nos 30 dias anteriores à pesquisa, sentiram que ninguém se preocupava com elas, enquanto entre os meninos, o índice foi de 19%. Além disso, 41% das meninas afirmaram se sentir tristes sempre, e 25% disseram que a “vida não vale a pena ser vivida”, número duas vezes maior que o dos meninos (12%).
O bullying também aumentou, passando de 23% em 2019 para 27,2% em 2024. As meninas são as que mais dizem sofrer bullying (30,1% contra 24,3% dos meninos), enquanto os meninos são maioria entre os que admitem praticar (16,5% contra 10,9%). Os principais motivos são a aparência do rosto ou cabelo (30,2%) e do corpo (24,7%), seguidos por cor ou raça (10,6%).
Diante desse cenário, psiquiatras recomendam que adolescentes busquem ajuda em serviços médicos como UBSs, prontos-socorros psiquiátricos, além de canais como o CVV (telefone 188) e a plataforma Mapa da Saúde Mental, que mapeia opções de acolhimento em todo o país.





