Da redação
Ministros e assessores do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a abertura de uma CPI para investigar o suposto envolvimento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o caso Banco Master não deve avançar neste ano. Também não se acredita na possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do tribunal agora. Apesar disso, fontes do STF apontam que em 2027, com possível crescimento da direita no Congresso, a pressão poderá resultar na instauração de processos de afastamento.
A direita, especialmente ligada ao bolsonarismo, prioriza a eleição de senadores, pois o Senado tem papel central em processos contra ministros do STF. Exemplo disso é que o ex-presidente Jair Bolsonaro incentivou candidaturas de Carlos Bolsonaro por Santa Catarina e Michelle Bolsonaro pelo Distrito Federal. Alianças em estados como Paraná, envolvendo Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo), e Sergio Moro (PL), também visam reforçar essa estratégia.
Segundo integrantes do STF, mesmo com assinaturas suficientes para a CPI do Master, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve barrar o avanço da proposta. A mesma análise vale para pedidos de impeachment, que já somam 97 no Congresso, sendo onze somente em 2024 – seis contra Moraes e cinco contra Toffoli.
Dois fatores dificultam a pressão contra o tribunal: as investigações sobre o Banco Master ainda não terminaram e já atingem parlamentares, o que torna a CPI arriscada para o Congresso; além disso, no segundo semestre de 2024, as eleições devem esvaziar o Congresso, inviabilizando as iniciativas.
A crise atingiu o STF após revelações do contrato da esposa de Moraes com o Banco Master e de mensagens trocadas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Toffoli também deixou a relatoria do caso após suspeitas sobre repasses a empresa da qual é sócio. Segundo pesquisa AtlasIntel/Estadão, a desconfiança com o STF chegou a 60%, maior índice desde 2023.





