Da redação
João José Xavier, ex-líder da Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo (Glesp), teve sua condenação por assédio sexual confirmada pela Justiça após esgotar todos os recursos possíveis. Xavier, conhecido como Sereníssimo Grão-Mestre entre os maçons, deverá cumprir pena de dois anos e quatro meses, convertida em prestação de serviços à comunidade e recolhimento noturno em regime aberto.
O ex-líder foi considerado culpado pelos crimes de importunação e assédio sexual contra uma ex-secretária da instituição, aproveitando-se de sua posição hierárquica. O caso envolveu acusações de comportamentos como abraços lascivos, beijos, apalpamentos, exposição a vídeos de conteúdo erótico e comentários inapropriados.
Uma das vítimas relatou à Justiça ter recebido tapas nas nádegas, além de ser chamada de “gostosa”, e afirmou que permaneceu em silêncio por depender do emprego. Outra funcionária presenciou Xavier beijando a colega à força e fazendo pedidos de conotação sexual. A condenação, no entanto, se concentrou nos relatos da secretária, sustentados por testemunhas oculares. Acusações de uma faxineira não avançaram por falta de provas, embora a Justiça trabalhista tenha reconhecido assédio em ambos os casos e concedido indenização.
Xavier chegou a ser absolvido em primeira instância, mas a decisão foi revertida após recursos, com o ministro Rogerio Schietti Cruz, do STJ, destacando a consistência dos depoimentos. No STF, o ministro Edson Fachin rejeitou o último recurso da defesa.
A defesa de Xavier alega que a condenação não condiz com as provas e estuda novas medidas legais. Xavier foi afastado da Glesp em 2020, ano em que surgiram as denúncias. Para o advogado das vítimas, Cícero Barbosa dos Santos, apesar de considerar a pena branda, a condenação representa avanço e retira os benefícios de réu primário ao acusado em futuros processos.





