Da redação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiou em 10 dias o ultimato de ataques às instalações de energia do Irã, citando avanços nas negociações para tentar encerrar a guerra. Apesar disso, Teerã foi alvo de grandes bombardeios de Israel nesta sexta-feira (27). O conflito no Oriente Médio e suas repercussões econômicas dominaram a pauta da reunião dos ministros das Relações Exteriores do G7, realizada na abadia de Vaux-de-Cernay, próxima a Paris, com a presença do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Durante o encontro, Rubio insistiu para que Alemanha, Reino Unido, Canadá, França, Itália e Japão ajudem Washington a reabrir o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos, que motivou a ameaça de Trump de destruir as centrais de energia iranianas. O adiamento do ultimato foi anunciado por Trump na plataforma Truth Social, marcando nova data para segunda-feira, 6 de abril de 2026, às 20h de Washington (21h de Brasília). Trump também destacou que o Irã permitiu a passagem de 10 navios por Ormuz como gesto positivo nas negociações bilaterais.
Na cúpula do G7, a chanceler britânica Yvette Cooper acusou o Irã de “tomar a economia mundial como refém” ao bloquear o estreito marítimo, enquanto as cotações do petróleo subiram novamente: o Brent foi negociado a US$ 110 e o WTI se aproximou de US$ 100 o barril. Paralelamente, o Irã respondeu “oficialmente” ao plano de 15 pontos proposto por Washington por meio de intermediários, estabelecendo condições para o cessar-fogo e aguardando resposta dos Estados Unidos.
Enquanto o governo americano oscila entre ameaças e tentativas diplomáticas, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou, nesta sexta, ataques com mísseis e drones contra alvos militares e energéticos em Israel e em países do Golfo. O porta-voz das Forças Armadas iranianas alertou que hotéis no Oriente Médio hospedando militares americanos também serão considerados alvos.
O conflito, que completa um mês neste sábado (28), propagou-se pelo Oriente Médio, causando mais de 1.100 mortes e o deslocamento de um milhão de pessoas, segundo autoridades libanesas. Israel intensificou sua campanha com ataques à capital iraniana, Teerã, e aos subúrbios do sul de Beirute. O líder da oposição israelense, Yair Lapid, criticou a estratégia do premiê Benjamin Netanyahu, enquanto o porta-voz militar israelense Effie Defrin reconheceu a necessidade de reforços. Israel não comentou as negociações de paz mediadas pelo Paquistão, conforme anunciado por Washington.





