Da redação
Após sete meses de trabalho, a CPMI do INSS começou nesta sexta-feira (27) a análise de seu relatório final, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). O documento, com cerca de 4 mil páginas, sugere o indiciamento de 216 pessoas, incluindo parlamentares, ex-ministros, dirigentes e ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, além do banqueiro Daniel Vorcaro e do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Entre os citados estão ainda José Carlos Oliveira (Ahmed Mohamad Oliveira), ex-ministro do Trabalho e Previdência do governo Bolsonaro, Carlos Lupi, atual ministro da Previdência, a deputada Gorete Pereira (MDB-CE), o ex-deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o senador Weverton (PDT-MA).
O relatório aponta que os crimes aconteciam de forma profissional e coordenada, destacando delitos como organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude eletrônica e prevaricação. A lista de indiciamentos inclui também o ex-presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto, o diretor da Dataprev Alan do Nascimento Santos e o ex-ministro José Sarney Filho (Zequinha Sarney). Durante os trabalhos, a CPMI prendeu quatro pessoas em flagrante por mentiras e omissões durante depoimentos.
A leitura do relatório foi inicialmente suspensa porque alguns parlamentares não tinham conseguido acessar o documento, sendo retomada logo após o download. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a votação pode se estender pela madrugada, podendo ser convocada nova sessão para sábado (28), caso necessário. O prazo final para a conclusão dos trabalhos é 28 de março, após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar, por 8 a 2, a prorrogação da CPMI.
A sessão foi marcada por tumultos, com bate-boca entre o deputado Lindbergh Faria (PT-RJ) e Alfredo Gaspar. Senadoras da base do governo, como Eliziane Gama (PSD-MA) e Augusta Brito (PT-CE), defenderam uma investigação justa e possibilidade de apresentar relatório paralelo. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou o ministro Gilmar Mendes por comentar suposto vazamento de dados, o que foi negado por Carlos Viana.
Vários parlamentares protestaram contra a decisão do STF de não prorrogar a CPMI, entre eles Rogério Marinho (PL-RN), Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcio Bittar (PL-AC), que consideraram a medida uma interferência indevida no Legislativo. (Agência Senado)





