Início Economia Guerra expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras

Guerra expõe risco energético do Brasil, diz ex-chefe da Petrobras


Da redação

A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz provocam um novo choque do petróleo, revelando a insegurança energética do Brasil, país que freou a expansão de refinarias durante a Operação Lava Jato e por pressão das multinacionais do setor. Essa é a avaliação do ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que lançou o livro “Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro”, pelo Instituto Ineep.

Em entrevista à Agência Brasil, Gabrielli afirmou que Estados Unidos intensificam sua influência no mercado global com intervenções na Venezuela e no Irã, e que o conflito reconfigura a oferta de petróleo, ampliando o espaço de Brasil, Canadá e Guiana no fornecimento para China e Índia. Ele destacou que, apesar do potencial, o Brasil enfrenta vulnerabilidade por não ter capacidade de refino suficiente para suprir o consumo interno, especialmente do diesel.

Gabrielli ressaltou que “o Brasil depende de 20% a 30% do diesel importado” e que, desde a Lava Jato, apenas uma das cinco refinarias previstas foi construída, agravando a dependência de derivados estrangeiros. Ele explicou que multinacionais como Exxon e Shell historicamente vetaram a ampliação do refino nacional, aprofundando a fragilidade diante de crises.

Sobre o papel das importadoras, Gabrielli criticou a atuação especulativa desses agentes, apontando que, mesmo com as refinarias da Petrobras operando a 93% da capacidade desde 2023, o suprimento ainda é insuficiente. O ex-presidente da estatal também avaliou que o choque do petróleo tenderá a impulsionar a transição energética a longo prazo, mas alertou: “não podemos prescindir do combustível fóssil nesse momento”.

Quanto ao hidrogênio verde, Gabrielli disse que sua viabilização exige novo mercado e políticas de demanda, estimando que a substituição significativa dos combustíveis fósseis só ocorrerá por volta de 2035, caso decisões estratégicas sejam tomadas a partir de agora.