Da redação
A eleição anulada para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) expôs a disputa entre a base do deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, e a oposição. O PL comemorou ter reunido cerca de um terço dos votos para Douglas, enquanto adversários apontam esse resultado como um possível teto de apoio ao deputado, destacando riscos de traições em eventuais votações secretas para governador-tampão ou para a própria presidência da Casa.
O cenário político fluminense agora depende do Supremo Tribunal Federal (STF), que discute as regras para definição do novo chefe do Executivo estadual. Quatro ministros defenderam eleição direta, enquanto outros analisam critérios do pleito interno na Alerj. A sessão extraordinária do Supremo foi interrompida por determinação do ministro Cristiano Zanin, que suspendeu o trâmite para eleição indireta.
Douglas, ex-secretário de Cláudio Castro, recebeu 45 dos 69 votos possíveis para substituir Rodrigo Bacellar (União), presidente cassado pelo TSE. Entre seus apoiadores, estão aliados de Eduardo Paes (PSD), pré-candidato à prefeitura do Rio. A votação foi comemorada por Douglas, que afirmou: “Foi uma grande demonstração de força do nosso campo político”.
A oposição acredita que parte dos votos obtidos por Douglas foi resultado de forte pressão sobre parlamentares, favorecida pelo voto aberto. O PSD, de Paes, pretende pedir ao STF votação secreta também para a presidência da Alerj, argumentando, como o ministro Luiz Fux, que o sigilo evita pressões e influência do crime organizado.
No tabuleiro, André Ceciliano (PT) surge como possível nome de consenso do campo opositor para o mandato-tampão, após decisão do STF que reduziu o prazo de desincompatibilização. A crise se intensificou após a renúncia de Cláudio Castro, em manobra para evitar cassação e eleição direta, enquanto o futuro político do Rio permanece incerto à espera de novas deliberações judiciais.





