Da redação
O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, tentou reverter a liquidação do conglomerado decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2023. Na ocasião, a defesa do ex-banqueiro apresentou uma petição ao Tribunal de Contas da União (TCU), pedindo a revisão dos atos assinados pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo. À época, os advogados alegaram que a decisão foi apressada, destacando que havia um plano de “saída organizada” com aporte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e venda para a Fictor.
Após ser procurada nesta quinta-feira (26), a defesa de Vorcaro não comentou o caso. A Fictor, que seria a compradora do Master, foi alvo de operação da Polícia Federal na quarta-feira (25), suspeita de lavagem de dinheiro para grupo ligado ao Comando Vermelho. As informações vieram à tona após a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado retirar o sigilo dos documentos do TCU relacionados à investigação sobre a atuação do Banco Central no caso Master.
A defesa de Vorcaro também solicitou ao TCU a decretação de sigilo sobre o processo, a proibição da venda de ativos pelo liquidante e uma inspeção no Banco Central para avaliação dos procedimentos internos na análise de tentativa de compra do Master pelo BRB. A compra havia sido vetada pelo BC em 3 de setembro. Em 18 de dezembro, a área técnica do TCU recomendou aceitar apenas o pedido de Vorcaro para ser parte interessada.
O relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, chegou a admitir o bloqueio cautelar da venda de ativos e determinou inspeção no BC em 5 de janeiro. Segundo o relatório técnico do TCU, a liquidação pode implicar ações de difícil reversão, mas bloqueios indiscriminados poderiam prejudicar credores e depositantes.
Apesar de apontar indícios graves na condução do BC, como desconsideração de proposta de R$ 3 bilhões, a área técnica do TCU concluiu que a conduta do Banco Central foi diligente e fundamentada. Os processos seguem sob sigilo no TCU e, na terça-feira (24), o ministro Jhonatan suspendeu o andamento do processo até a conclusão das investigações em órgãos como BC, CGU e Polícia Federal.





