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Ibaneis Rocha é o primeiro governador desde Joaquim Roriz a deixar o Palácio do Buriti pela porta da frente

Por Sandro Gianelli

Governador renuncia ao mandato para disputar uma vaga no Senado e se torna o primeiro, desde Joaquim Roriz, a encerrar gestão sem derrota eleitoral ou cassação

Ibaneis Rocha deixou o Governo do Distrito Federal neste 28 de março de 2026 para disputar uma vaga no Senado e entrou para um grupo raro na política local: o de governadores que saem do Palácio do Buriti pela porta da frente. Desde Joaquim Roriz, nenhum outro chefe do Executivo do DF havia encerrado sua trajetória no cargo em condições políticas favoráveis, sem derrotas nas urnas ou interrupções por crises.

A trajetória recente do Distrito Federal é marcada por descontinuidades. Joaquim Roriz renunciou ao mandato para concorrer ao Senado. Sua sucessora, Maria de Lourdes Abadia, tentou a reeleição, mas foi derrotada por José Roberto Arruda. O próprio Arruda acabou cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral e chegou a ser preso, em um dos episódios mais emblemáticos da política local.

Na sequência, Agnelo Queiroz não conseguiu sequer avançar ao segundo turno ao disputar a reeleição. Rodrigo Rollemberg também tentou permanecer no cargo, mas foi derrotado por Ibaneis Rocha no segundo turno, em uma disputa marcada por ampla diferença de votos, próxima de 70% a 30%.

A eleição de Ibaneis, inicialmente em 2018 e depois confirmada com a reeleição em primeiro turno, em 2022, rompeu uma sequência de instabilidade política no Distrito Federal. Sua saída voluntária para disputar o Senado consolida esse ciclo como um dos poucos períodos recentes sem rupturas institucionais no comando do GDF.

Ao contrário de antecessores que enfrentaram cassação ou derrotas eleitorais, Ibaneis encerra o mandato com capital político preservado. A decisão de renunciar para concorrer a outro cargo reforça esse posicionamento, comum em trajetórias políticas ascendentes.

O governo Ibaneis foi marcado por um perfil técnico e por investimentos estruturantes, com ênfase na infraestrutura urbana. Obras de mobilidade, recuperação de vias e ampliação de serviços públicos estiveram entre as principais vitrines da gestão.

A aposta em entregas concretas ajudou a consolidar a imagem de uma administração voltada à execução, em contraste com períodos anteriores marcados por crises políticas ou dificuldades de gestão.

Além disso, a reeleição em primeiro turno evidenciou o respaldo eleitoral ao modelo adotado. O resultado consolidou Ibaneis como uma liderança relevante no cenário político do Distrito Federal.

Com a renúncia, Ibaneis Rocha abre um novo capítulo na própria trajetória, agora com foco no Senado. A movimentação segue um padrão histórico de lideranças que utilizam o governo local como plataforma para voos maiores na política nacional.

Ao deixar o Palácio do Buriti sem desgaste significativo, o ex-governador também reforça uma marca simbólica: a de estabilidade em um ambiente político que, por anos, foi marcado por rupturas e incertezas.

Mais do que uma transição de cargo, a saída de Ibaneis representa o fechamento de um ciclo atípico na política do Distrito Federal e reacende o debate sobre a capacidade de continuidade administrativa na capital do país.