Da redação
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil nesta segunda-feira (30), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou que a população iraniana tem ido às ruas para pressionar o governo a não aceitar as promessas de negociação dos Estados Unidos. Segundo Ghadiri, o presidente norte-americano Donald Trump “negocia consigo mesmo”, tornando as tentativas de diálogo “uma piada mundial”.
O embaixador relatou que as negociações entre Irã e EUA foram interrompidas por ataques, como a guerra de 12 dias ocorrida em junho de 2025. Para ele, as ações dos Estados Unidos seguem um ciclo de guerra, cessar-fogo e novas hostilidades, o que não deveria ser aceito por nenhum país independente. Ghadiri destacou que a sociedade iraniana tem exigido uma postura firme e desencoraja a confiança nas negociações.
Quanto aos confrontos com Israel, Ghadiri afirmou que os ataques iranianos têm causado danos significativos à capacidade militar de Tel Aviv e destacou que as respostas são baseadas em princípios éticos e religiosos, evitando o uso de armas que possam causar massacre de civis ou destruição ambiental. O diplomata também contestou alegações de que Israel e EUA atacam universidades iranianas sob suspeita de envolvimento militar, classificando tais ações como demonstração de desprezo pelas ciências.
Sobre o impacto interno, o embaixador declarou que, após 31 dias de guerra, a população segue nas ruas, defendendo a soberania nacional, mesmo sob sanções e pressão internacional. Ghadiri elogiou a cobertura da imprensa brasileira sobre o conflito, mas criticou editoriais considerados parciais, como o do Estado de S. Paulo, por supostamente incitarem ataques contra civis iranianos.
Por fim, Ghadiri refutou a ideia de que grupos como Hezbollah e Houthis sejam “proxies” do Irã, defendendo que atuam por interesses próprios de seus países. Ele ressaltou que movimentos de resistência no Líbano, Iraque e Palestina são reações locais a invasões e ocupações, e não instrumentos do governo iraniano.





