Início Eleições Caiado volta a disputar a Presidência e promete anistia a Bolsonaro

Caiado volta a disputar a Presidência e promete anistia a Bolsonaro

Da redação do Conectado ao Poder

Governador de Goiás lança pré-candidatura para 2026, muda de partido e diz que seu primeiro ato será anistia “ampla, geral e irrestrita”

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou na segunda-feira (30/3), em São Paulo, que voltou a disputar a Presidência da República e afirmou que, se eleito, pretende fazer da anistia aos condenados e investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo Jair Bolsonaro, o primeiro ato de seu governo. A declaração foi dada em entrevista coletiva após a filiação de Caiado ao PSD, oficializada no dia 14.

Ao apresentar a proposta, Caiado disse que pretende se colocar como “pacificador” diante do ambiente de polarização política no país. “Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia geral e irrestrita”, afirmou. Em seguida, reforçou o argumento de que a medida seria, na avaliação dele, um caminho para reduzir o conflito político. “Ao anistiar todos, inclusive o presidente [Bolsonaro], eu estarei dando uma amostra de que vou cuidar das pessoas”, declarou.

A pré-candidatura foi anunciada poucos dias depois de o governador do Paraná, Ratinho Jr., informar que não concorreria ao Planalto pelo PSD, movimento que abriu espaço na disputa interna do partido. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também vinha se apresentando como pré-candidato pela sigla e, após a movimentação, publicou vídeo dizendo que manteria sua intenção de concorrer.

Em pesquisas divulgadas neste mês, Caiado apareceu com 4% das intenções de voto em um dos cenários testados, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em simulação de segundo turno contra Lula, Caiado registrou 32%, enquanto o presidente apareceu com 44%, segundo o levantamento citado no mesmo período.

No contato com a imprensa, Caiado fez críticas ao PT e afirmou que sua estratégia passa por se posicionar como principal adversário do partido. “O desafio não é ganhar eleição do PT apenas. Isso é fácil: no segundo turno ele estará batido. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, disse. Em outro trecho, voltou a insistir que a dificuldade seria a condução do governo, e não a vitória eleitoral: “Ganhar não é a dificuldade. Ganhar, nós vamos ganhar. Mas vai saber governar? Ou vai aprender a governar na cadeira?”.

O anúncio marca a segunda tentativa de Caiado de chegar ao Planalto. Em 1989, na primeira candidatura, ele terminou em 10º lugar, com 0,72% dos votos. Médico de formação, Caiado também é conhecido por ter atuado no setor do agronegócio e por ter fundado a União Democrática Ruralista (UDR), trajetória que ele tem usado para se apresentar, agora, como representante de uma ala descrita por ele como mais moderada do setor.

A mudança para o PSD ocorreu após Caiado ter lançado, no ano passado, uma pré-candidatura pelo União Brasil, partido que integrava a base do governo federal e que avançou na formação de uma federação com o Progressistas (PP). Com a federação registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o cenário de alianças na direita e no centro-direita ficou mais disputado, especialmente diante das discussões sobre eventual apoio a Flávio Bolsonaro.

Na relação com Jair Bolsonaro, Caiado tem um histórico de aproximações e afastamentos. Ele apoiou Bolsonaro em 2018 e 2022, mas os dois romperam em 2024, depois de o ex-presidente não apoiar candidatos aliados do governador em municípios goianos. Mesmo sem ter participado de manifestações organizadas por bolsonaristas em defesa da anistia, Caiado voltou a se declarar favorável a uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

O governador também tem associado sua imagem à pauta de segurança pública em Goiás, tema recorrente no debate eleitoral da direita. A gestão é citada em meio a discussões sobre letalidade policial e sobre o uso de câmeras corporais por policiais militares, medida à qual Caiado já se declarou contrário.

Além de Caiado, Lula e Flávio Bolsonaro, outros nomes já se colocaram na disputa presidencial de 2026. O calendário eleitoral prevê o registro de candidaturas até 15 de agosto no TSE. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.