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Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA, diz Masoud Pezeshkian


Da redação

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, publicou nesta quarta-feira (1º) uma carta aberta “ao povo dos Estados Unidos da América” e aqueles “que continuam a buscar a verdade”. Em texto divulgado na rede social X, Pezeshkian afirmou que o povo iraniano não é inimigo de outras nações, incluindo americanos, europeus e países vizinhos, e destacou que o país sempre distinguiu entre governos e populações.

No comunicado, Pezeshkian argumentou que o Irã, apesar de sua longa história e vantagens geográficas, “nunca escolheu o caminho da agressão, do colonialismo ou dominação”. Ele ressaltou que, diferentemente dos EUA, o país jamais iniciou uma guerra desde a fundação americana, enquanto Washington mantém o maior número de bases militares ao redor do território iraniano.

O presidente iraniano relembrou o histórico de relações entre os dois países, citando o golpe de Estado de 1953 contra Mohammad Mossadegh, apoiado pelos EUA e Reino Unido, após a nacionalização do petróleo iraniano. Segundo Pezeshkian, esse episódio “desestruturou o processo democrático iraniano” e aumentou a desconfiança em relação aos norte-americanos. Ele ainda denunciou sanções, apoio dos EUA ao regime do xá e a Saddam Hussein, além de recentes agressões militares.

Pezeshkian também reconheceu avanços sociais internos obtidos após a Revolução Islâmica, como triplicação da taxa de alfabetização e progresso em saúde e tecnologia, mas destacou os efeitos devastadores das sanções e da guerra. “A continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente a vida do povo iraniano”, afirmou.

Por fim, o presidente questionou se o conflito atende aos interesses do povo americano e sugeriu que “Israel manipula os EUA”, promovendo o confronto em detrimento dos interesses comuns. Pezeshkian encerrou convidando à reflexão sobre as reais motivações do conflito, que já dura um mês, elevou o preço do petróleo em 50% e resultou na morte de autoridades iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei. O presidente americano Donald Trump fará um pronunciamento hoje às 22h sobre a guerra.