Da redação
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, declarou nesta quarta-feira (1º) que a estatal avalia tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel em até cinco anos. Atualmente, o país importa cerca de 30% do diesel consumido, combustível essencial para caminhões, ônibus e tratores. O tema ganhou destaque devido à disparada internacional de preços, provocada pela guerra no Irã.
Segundo Chambriard, o plano de negócios vigente da Petrobras previa atingir 80% da demanda nacional, ampliando em 300 mil barris a produção diária até 2029. No entanto, a estatal está revendo as metas e considera chegar a 100%. “Quem sabe a gente chega com a possibilidade de ter um novo plano de negócios capaz de entregar a autossuficiência do Brasil em diesel”, afirmou a executiva durante evento da CNN Brasil, em São Paulo. As discussões do novo planejamento começam em maio e a divulgação está prevista para novembro.
Expansões nas refinarias integram a estratégia. A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, deve aumentar sua capacidade de 230 mil para 300 mil barris diários. Já a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, associada ao Complexo de Energias Boaventura, passará de 240 mil para cerca de 350 mil barris por dia. Em São Paulo, quatro refinarias já fazem adaptações para priorizar a produção de diesel.
Entre o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, e 22 de março, o preço do óleo diesel S10 subiu cerca de 23% no Brasil, segundo a ANP. A Petrobras reajustou o combustível em R$ 0,38 no último dia 14. O governo federal reagiu zerando PIS/Cofins e concedendo subvenções e negocia, junto a estados, um subsídio de R$ 1,20 por litro.
O conflito no Oriente Médio pressiona ainda o mercado internacional, já que 20% da produção global passa pelo Estreito de Ormuz. O barril Brent, referência mundial, ultrapassou US$ 101 nesta quarta-feira, ante US$ 70 antes da guerra.





