Da redação
Com o preço do petróleo Brent acima de US$ 100 por barril, muitos trabalhadores e famílias estão voltando a usar petróleo e carvão, elevando preocupações sobre danos ambientais duradouros. Diversos países já anunciaram racionamento de combustível e a adoção de reuniões online para economizar energia.
Pouco mais de quatro semanas após os bombardeios israelenses e americanos ao Irã, que deflagraram um conflito regional, a interrupção quase imediata do tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico reduziu embarques globais de petróleo, gás natural, carvão, alimentos e fertilizantes. Esses impactos atingem mundialmente a cadeia de suprimentos.
Segundo Junior Davis, chefe da Divisão de Análise de Políticas e Investigação para África da Unctad, apenas um pequeno grupo de Países Menos Desenvolvidos – entre eles Sudão do Sul, Angola, Chade, Moçambique, Laos, Mianmar e Iêmen – são exportadores líquidos de energia. A maioria dos demais, como Níger, Zâmbia e Etiópia, depende da importação de energia.
Davis destaca que países exportadores de petróleo, como Angola, têm ganhos limitados, já que não possuem capacidade interna de refino e acabam reimportando produtos refinados a preços mais altos. A dependência angolana do setor petrolífero torna sua economia vulnerável a choques externos.
A crise energética agrava a insegurança alimentar. Segundo a FAO, 17 das nações mais pobres importam mais de 30% de suas necessidades de cereais e gastam mais da metade de suas receitas com exportações apenas para comprar alimentos. A Unctad alerta: o aumento dos preços da energia se refletirá nos alimentos, elevando o risco de fome para as famílias, enquanto muitos Países Menos Desenvolvidos ainda não se recuperaram da crise da Covid-19.





