Da redação
A Polícia Federal (PF) investiga se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi beneficiário de recursos desviados do INSS, conforme movimentações financeiras sob suspeita. A apuração ocorre no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios entre 2019 e 2024, com prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da própria PF, mas não houve quebra de sigilo de suas empresas.
A PF apura se houve pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, para Lulinha. O ex-funcionário de Antunes, Edson Claro, relatou pagamentos mensais desse valor ao filho do presidente, mas até o momento, a quebra de sigilo não identificou repasses diretos. Foram encontrados indícios de pagamentos dessa quantia à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, e os investigadores buscam determinar se houve repasse posterior.
Em mensagens obtidas pela investigação, o lobista Careca do INSS orienta que uma parcela seja paga à empresa RL Consultoria, de Roberta, e diz que o destinatário seria “o filho do rapaz”. Roberta teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista. Sua defesa afirma que a empresa apenas foi consultada para atuar em regulação do setor de canabidiol e que não houve negócio fechado nem ligação com os desvios.
A defesa de Lulinha nega qualquer recebimento de valores relacionados às fraudes do INSS ou participação em crimes investigados, afirmando não haver vínculo financeiro com os fatos apurados. O advogado Guilherme Suguimori disse, em nota, que todos os esclarecimentos foram prestados ao STF e que Lulinha está à disposição para novas informações.
A Sem Desconto foi deflagrada em abril de 2025 e investiga descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. A PF considera que a operação está em sua metade final, mas novos desdobramentos podem ocorrer, inclusive com possíveis delações premiadas, como a de Maurício Camisotti, preso junto com Antunes em setembro de 2024.







