Da redação
Roraima liderou os focos de incêndio no Brasil em março, com 602 registros, mais de um terço do total nacional, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Bahia e Mato Grosso aparecem na sequência, com 15% e 8% dos casos, respectivamente. O número de incêndios em Roraima saltou de 219 em janeiro para 493 em fevereiro, superando a média histórica para o período.
Segundo Ramon Alves, meteorologista da Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), o início do chamado “inverno amazônico” neste começo de abril deve reduzir os focos. O auge das queimadas ocorreu entre o fim de fevereiro e meados de março, levando o governo estadual a suspender o calendário de queimadas controladas e a prever multas para quem iniciar fogo sem autorização.
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), Anderson Carvalho de Matos, informou que já foram registrados 1.600 focos no ciclo 2025/2026, principalmente em Caracaraí, Rorainópolis e Normandia. Segundo ele, os incêndios têm origem humana, tanto criminosa, visando limpar terrenos em áreas urbanas, quanto para preparar o solo no meio rural.
De acordo com o pesquisador Haron Xaud, da Embrapa, as queimadas afetam principalmente a savana e áreas de lavrado, provocando alta mortalidade de animais e empobrecendo o solo, enquanto as florestas têm sido menos atingidas até o momento. Em Boa Vista, foco das queimadas, moradores relatam fumaça persistente e aumento dos problemas respiratórios.
O Hospital da Criança Santo Antônio, principal unidade pediátrica de urgência do estado, registrou internações devido à exposição à fumaça. Segundo a médica Mayara Floss, da SBMFC, as partículas finas liberadas causam irritações, doenças respiratórias e, a longo prazo, podem gerar problemas graves como câncer e infarto, afetando principalmente crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças pré-existentes.







