Da redação
O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou ao menos duas viagens em 2025 com sua família em jatinhos emprestados por empresários, segundo documentos e relatos obtidos pelo Estadão. Uma das viagens ocorreu na madrugada de 1º de maio de 2025, rumo à Flórida, em um avião executivo de longo alcance, acompanhado de sua esposa e do advogado Willer Tomaz. O jatinho utilizado, registrado em nome de uma empresa controlada pelos donos da União Química, foi cedido por um empresário. Na véspera, Flávio havia comemorado 44 anos.
A segunda viagem, em 1º de abril de 2025, foi do Aeroporto de Brasília ao Rio de Janeiro, em um jato Cessna modelo 550 Bravo, de oito lugares, pertencente a uma empresa ligada a Willer Tomaz. Os documentos registram ainda outras três ocasiões em que Flávio ingressou no terminal para voos em aeronaves particulares, mas sem detalhes dos destinos ou das aeronaves.
Questionado, Flávio Bolsonaro afirmou que os deslocamentos tiveram “finalidade pessoal e familiar”, sem esclarecer quem custeou as despesas das viagens. Em nota, declarou: “Os voos tiveram caráter privado […], não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública”.
Willer Tomaz, amigo de Flávio e também passageiro na viagem à Flórida, negou ter recebido qualquer favorecimento e ressaltou, em nota, que “os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade”.
Willer Tomaz é advogado, sócio do ex-procurador Eugênio Aragão e figura conhecida em Brasília. Já respondeu judicialmente por acusação da Polícia Federal, mas o TRF-1 rejeitou a denúncia por falta de provas. O sócio da empresa dona do avião utilizado na viagem à Flórida, Fernando Marques, não retornou os contatos da reportagem.







