Da redação
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá nesta quarta-feira (8) os rumos da política do Rio de Janeiro, em meio a uma crise institucional sem precedentes. A Corte analisará se a eleição para o mandato-tampão será direta ou indireta, enquanto o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, segue no comando do Executivo estadual, por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF.
Segundo cientistas políticos ouvidos pela Folha, as intervenções do Supremo reforçam a insegurança jurídica no Rio, mas apontam que a crise é anterior ao esfacelamento da linha sucessória. O domínio do MDB por 12 anos deu lugar à fragilidade política do ex-governador Cláudio Castro (PL), acusado de fraqueza e permissividade à corrupção, o que agravou o cenário atual, segundo o professor Paulo Henrique Cassimiro, da Uerj.
Castro renunciou na véspera do julgamento no TSE que poderia cassar seu mandato, tentando preservar influência na eleição indireta ao Executivo após o TSE declará-lo inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Seu aliado, Rodrigo Bacellar (União Brasil), não pôde assumir, estando preso e afastado da Alerj, aumentando a imprevisibilidade do processo.
O ministro Luiz Fux, do STF, determinou voto secreto e estabeleceu prazo maior para desincompatibilização de candidatos na eleição indireta. Tentativas da Assembleia de eleger novo presidente foram anuladas pelo Tribunal de Justiça, reforçando o vácuo de poder e a crise institucional.
A crise expõe a falta de base de Castro e a dificuldade em liderar alianças estáveis, agravada pela desconfiança do bolsonarismo. Especialistas como Mayra Goulart (UFRJ) e Isabel Uchôa (UFRRJ) ressaltam que a decadência política e econômica do estado está ligada à histórica corrupção e à força do crime organizado, tornando a governabilidade do Rio de Janeiro um desafio.







