Da redação do Conectado ao Poder
Ao assumir o Palácio das Esmeraldas, o novo governador reforça o discurso de “jogo duro contra a bandidagem” e mantém os principais comandos da segurança.
O governador de Goiás, Daniel Vilela, afirmou após assumir o Palácio das Esmeraldas, no dia 31 de março, que pretende manter a estratégia de linha dura adotada por Ronaldo Caiado na segurança pública em Goiás, com foco em tolerância zero contra o crime e continuidade do apoio às forças policiais. A declaração foi feita durante discurso de posse, em Goiânia, no momento em que Caiado transmitiu o cargo ao então vice.
Na cerimônia, Caiado disse que Daniel conhece a gestão e terá a responsabilidade de conduzir o estado, ao mencionar combate à corrupção e à criminalidade. “Está aí: governou ao meu lado, conhece toda a parte orçamentária, veio de uma origem política importante e tem a responsabilidade de honrar o nome da família. Saberá combater a corrupção, a criminalidade e apoiar as pessoas de bem”, afirmou o ex-governador, ao se referir ao sucessor.
Já como governador, Daniel Vilela declarou que a política de segurança seguirá o mesmo rumo. “Não vamos baixar a guarda na segurança pública. Pelo contrário! É jogo duro contra a bandidagem. Com o governador Caiado, os bandidos mudaram de estado ou mudaram de profissão. E esse continuará sendo o principal mandamento da nossa gestão”, disse. Ele também afirmou que manterá o respaldo institucional às corporações. “Podem ter certeza de que a melhor força de segurança do Brasil vai continuar tendo o mesmo apoio, o mesmo respaldo do governador do estado. É tolerância zero com a bandidagem e cuidado pleno com o cidadão de bem. Goiás é e vai continuar sendo o estado mais seguro do Brasil!”, acrescentou.
A segurança pública ganhou peso na transição porque se consolidou como uma das principais vitrines do governo encerrado. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Goiás passou de um dos estados mais violentos do país para uma posição mais baixa no ranking de mortes violentas ao longo da última década. O levantamento aponta que, em 2017, o estado foi classificado como o 8º mais violento, com taxa de 43,8 mortes violentas por 100 mil habitantes, enquanto em 2025 aparece como o 19º, com taxa de 15,1.
O anuário também registra queda nos crimes violentos letais intencionais em números absolutos. Em 2016, foram 2.491 ocorrências no estado; em 2024, o total indicado foi de 960, redução de 61,4%. No recorte de latrocínio, o levantamento aponta 186 casos em 2016 e 18 em 2024, queda de 90,3%.
Além do discurso, a sinalização de continuidade também apareceu nas primeiras definições da equipe. Apesar de mudanças anunciadas em várias áreas da administração estadual, Daniel Vilela indicou manutenção da estrutura ligada à segurança, com permanência de comandos em instituições como Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. Ao tratar do comando da pasta, o governador citou diretamente o titular. “Renato Brum fica”, afirmou.
O cenário político também envolve o reposicionamento de Caiado no plano nacional, com foco em sua pré-candidatura à Presidência, e a tentativa de preservar a marca de gestão associada aos indicadores de segurança. Nesse contexto, a transição no governo coloca a segurança pública em Goiás como um dos principais pontos observados nos primeiros meses da nova administração, em especial pela promessa de manter o “jogo duro” e pela decisão de sustentar a equipe do setor.







