Da redação
Especialistas alertaram nesta segunda-feira (6), em audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, que o cigarro eletrônico tem atraído jovens que nunca fumaram e aumentando o risco de dependência de nicotina. A discussão foi realizada a pedido da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Representante do Instituto Nacional de Câncer (Inca), André Salem Szklo contestou a tese de que os dispositivos são menos nocivos que o cigarro tradicional e ressaltou que quase 90% dos jovens adultos que usam vape nunca fumaram antes. “A lógica da redução de danos é falaciosa, porque não acontece”, afirmou.
João Paulo Lotufo, da Sociedade Brasileira de Pediatria, e Flávia Fernandes, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, destacaram os riscos para a saúde, sobretudo entre jovens. Dados do PeNSE 2024 indicam que a experimentação de cigarros eletrônicos por estudantes subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% neste ano. Fernandes frisou que a nicotina dos vapes provoca dependência rapidamente e pode causar alterações irreversíveis no cérebro de adolescentes.
A senadora Damares Alves destacou que até crianças de 10 anos têm acesso a produtos com aparências inofensivas, atraindo o público jovem. Segundo ela, interesses econômicos e lobby da indústria do tabaco influenciam o debate. “Alguém quer ficar rico em cima das nossas crianças e adolescentes”, disse.
O debate foi motivado por projeto de lei da senadora Soraya Thronicke (PL 5.008/2023), que prevê a regulamentação da produção e comercialização dos dispositivos no Brasil. A proposta está pronta para votação na Comissão de Assuntos Econômicos e já recebeu mais de 18 mil manifestações favoráveis no Portal e-Cidadania, contra 14 mil contrárias.







