Da redação
O conselho de administração da Petrobras demitiu, nesta segunda-feira (6), Cláudio Schlosser, diretor de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis. Schlosser será substituído por Angélica Laureano, atual diretora de Transição Energética. A Petrobras não comentou os motivos para a decisão e afirmou, em nota, apenas que o conselho aprovou o encerramento antecipado do mandato de Schlosser.
A demissão ocorre após pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reverter o leilão de venda de gás de cozinha realizado na semana passada, que resultou em ágios de até 117% sobre o preço normal do produto nas refinarias. Lula afirmou que o leilão foi “bandidagem” e desrespeitou orientações do governo e da direção da Petrobras. “Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, declarou o presidente.
Após a declaração, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional do Petróleo (ANP) também se posicionaram contra o leilão, prometendo medidas junto à Secretaria de Defesa do Consumidor e fiscalização sobre a estatal. Segundo apuração da Folha, a cúpula da Petrobras já considerava cancelar a oferta, reforçando o argumento de Lula de que o leilão foi feito à revelia da direção.
O impasse gerou incertezas no mercado, pois os volumes vendidos no leilão já foram entregues a preços superiores. Nesta segunda, o governo anunciou subvenção de R$ 850 por tonelada de GLP importado, mas não há clareza sobre sua aplicação diante dos valores praticados.
José Luiz Rocha, presidente da associação de revendedores de gás de cozinha, afirmou que os aumentos já foram repassados ao consumidor e pediu reajuste nos valores do programa Gás do Povo. Ele alertou que, sem a revisão, revendedores podem abandonar o programa, que beneficia 15 milhões de famílias e é uma das principais bandeiras do governo Lula.







