Da redação
A primeira edição da Prova Nacional Docente, realizada pelo Ministério da Educação (MEC) em outubro de 2023, resultou na contratação de aproximadamente 16,9 mil professores em todo o Brasil. Segundo estudo do Movimento Profissão Docente, 97% dessas vagas são para cargos temporários, enquanto apenas 3% referem-se a contratações efetivas.
O levantamento identificou o uso da nota da prova em processos seletivos de 52 redes públicas de ensino — três estaduais (São Paulo, Rio Grande do Sul e Roraima) e 49 municipais. Batizada de “Enem dos Professores”, a avaliação recebeu mais de 1,08 milhão de inscrições em sua estreia e faz parte de um pacote do governo Lula (PT) para aprimorar a formação e seleção docente.
Haroldo Rocha, coordenador-geral do Movimento Profissão Docente, atribui o baixo índice de contratações efetivas ao cronograma da prova, aplicada em 26 de outubro, com resultados divulgados apenas em 15 de dezembro. Segundo ele, esse prazo “muito apertado” não foi suficiente para as redes elaborarem concursos públicos, que exigem editais e mais tempo de preparação.
A entidade recomenda ao MEC a antecipação da aplicação e divulgação dos resultados da avaliação para facilitar a contratação antes do início do ano letivo. Maria Cecília Pereira, diretora de políticas públicas do movimento, destaca a importância da prova especialmente para municípios menores: dos que utilizaram o exame, 58% têm menos de 70 mil habitantes e, em média, demoram 7,5 anos para abrir concursos.
Apenas 15 das 52 redes utilizaram a prova em concursos para cargos efetivos, mas o estudo aponta tendência de maior adesão à avaliação nos próximos anos. O MEC não se manifestou até a publicação desta reportagem.







