Da redação
O governo federal prepara novas medidas para conter a insatisfação popular e impulsionar a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Após iniciar ações para controlar a alta nos preços do diesel, do querosene de aviação e do gás de cozinha, a próxima iniciativa deve ser o limite aos juros do crédito consignado para trabalhadores do setor privado com carteira assinada.
Dados do Ministério do Trabalho revelam que, em algumas operações, a taxa de juros do consignado chegou a 13% ao mês. Apesar das altas taxas, entre março de 2025 e março de 2026, trabalhadores contrataram R$ 120 bilhões nesta modalidade de crédito. O Ministério do Trabalho, liderado por Luiz Marinho, defende um teto entre 3% e 5% ao mês, ou que o máximo corresponda à média do mercado. Já a equipe da Fazenda, sob comando de Dario Durigan, aponta que o teto pode restringir o acesso ao crédito para parte dos trabalhadores, dada a variabilidade do risco de inadimplência.
O objetivo do governo é anunciar as novas taxas do consignado privado o quanto antes, como estratégia para fortalecer a imagem do presidente. Inicialmente, a expectativa era divulgar as medidas simultaneamente ao programa de renegociação de dívidas do governo, anunciado por Durigan, mas que ainda depende de uma medida provisória.
Nesta segunda-feira, 6, o governo também comunicou novas subvenções ao diesel importado e nacional, ao GLP e à isenção de PIS/Cofins sobre biodiesel e QAV, com validade inicial de dois meses e possibilidade de prorrogação por mais 60 dias. Em março, já haviam sido zerados os tributos federais sobre o diesel, além do anúncio de subvenção de até R$ 10 bilhões para comercialização do combustível.
O custo fiscal de todas as medidas anunciadas no chamado “pacote de bondades” já soma R$ 31 bilhões, segundo a equipe econômica. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que esse valor será coberto pela elevação da arrecadação resultante do aumento do preço do petróleo.






