Da redação
O auditor fiscal aposentado da Secretaria Estadual da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Alberto Toshio Murakami, é procurado pela Interpol por ser um dos principais operadores de um esquema de fraudes no ressarcimento de créditos de ICMS. A investigação aponta que o esquema arrecadou ao menos R$ 1 bilhão em propinas de grandes empresas do varejo. No pedido de revogação da prisão, a defesa de Murakami alegou que ele já possuía um projeto de vida no exterior antes de ser alvo da Operação Ícaro e destacou que sua esposa é CEO de uma empresa americana de importação de mármore.
A defesa ainda argumentou que Murakami, de 63 anos, é réu primário, possui bons antecedentes, residência fixa no Brasil e nos Estados Unidos, além de família estabelecida com duas filhas, netas e esposa. O advogado Marcos de Oliveira Montemor afirmou que “não se pode obrigar o paciente a se mudar de volta para o Brasil, sob o pretexto de estar respondendo a um processo penal”.
A Justiça negou liminarmente o pedido de revogação da prisão. Em janeiro, a Justiça de São Paulo determinou a inclusão de Murakami na Difusão Vermelha da Interpol, após solicitação dos promotores do Gedec, unidade do Ministério Público responsável por crimes contra a ordem econômica.
Segundo as investigações, Murakami, conhecido como “Americano” no esquema, teria tomado a decisão de residir no exterior naturalmente, após a aposentadoria. Os promotores suspeitam que ele esteja morando em uma mansão de 1.000 m² no Tennessee, avaliada em US$ 1,3 milhão.
Denunciado pelo Ministério Público, Murakami atuava na Delegacia Regional Tributária III (Butantã), onde analisava pedidos de ressarcimento de ICMS-ST de empresas como a Ultrafarma, uma das varejistas envolvidas no esquema. Sua defesa não se manifestou ao Estadão.






