Da redação
No Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília, mais de 6 mil indígenas de todas as regiões do Brasil utilizam o artesanato como forma de resistência cultural. O evento visa principalmente pressionar pela demarcação de terras e pela implementação de políticas públicas, mas também serve de palco para a valorização de expressões artísticas e saberes tradicionais que mantêm viva a conexão dos povos originários com o meio ambiente.
Nhak Krere Xikrin, 26 anos, da Aldeia Ô-ôdja (PA), aplica pinturas corporais com tinta de jenipapo e oferece mais de 200 desenhos para rostos, braços e pernas. Ela aprendeu a técnica com a mãe e a avó e destaca a importância de transmitir esse conhecimento às futuras gerações: “Vou ensinar minhas filhas também”.
Na área de artesanato, grupos como o da Aldeia Afukuri, de Querência (MT), no Alto Xingu, comercializam peças para garantir renda a 88 famílias. O líder Geraldo Kuikoro, 40 anos, ressalta que o artesanato se tornou essencial diante do avanço de fazendeiros, uso de agrotóxicos e mudanças climáticas, que afetam até a produção de mandioca local. “Agora só tem começado a chover em outubro”, relata.
Ontxa Mehinako, 35 anos, da Aldeia Utawana, esculpe animais em madeira para preservar a história de sua comunidade, onde a maioria se identifica como artista. Já Jaqueline Kalapalo, 26 anos, do Alto Xingu, expõe joias de caramujo que simbolizam o ciclo vital. Mazinho Naruvôtu, 54 anos, produz esculturas em madeira sucupira, como gaviões, que podem custar até R$ 3 mil. “É um orgulho mostrar a vocês”, afirma Mazinho, que trabalha diariamente das 8h às 17h40.
Raira Kamayurá, 22 anos, apresenta braceletes de linhas coloridas com mensagens de proteção ambiental. Ela celebra ao ver não indígenas usando suas peças, vendo nisso apoio à luta indígena. Em sua aldeia no Mato Grosso, apenas acessível por rio ou ar, enfrenta problemas causados por garimpeiros invasores. Para chegar ao ATL, os kamayurá viajaram quase uma hora de barco até a estrada.







