O número de famílias endividadas no Distrito Federal apresentou leve recuo em março, mas o contingente de inadimplentes continuou avançando e atingiu o maior patamar da série histórica. É o que mostra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo o levantamento, o percentual de famílias endividadas no DF passou de 80,0% em fevereiro para 79,7% em março, uma queda de 0,3 ponto percentual, mantendo-se praticamente estável. Apesar do ligeiro recuo na comparação mensal, o indicador segue muito acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando estava em 66,7%, em março de 2025.
Em números absolutos, isso representa 841.657 famílias endividadas no Distrito Federal, uma redução de 1.900 famílias em relação a fevereiro deste ano. Na comparação com março de 2025, porém, o número é 139.483 famílias maior.

Na contramão desse leve alívio no endividamento, a inadimplência cresceu. O total de famílias com contas em atraso no DF chegou a 497.433, o equivalente a 47,1% do total, ante 45,1% em fevereiro. O avanço representa a entrada de 21.517 novas famílias na faixa da inadimplência em apenas um mês e de 70.774 famílias na comparação com março do ano passado.
Outro dado que chama atenção é o grupo das famílias que não têm condições de pagar suas dívidas. Esse indicador ficou estável em 20,4%, o que corresponde a 215.770 famílias. Em março de 2025, esse contingente era de 198.165 famílias.
Inadimplência acima da média nacional
O índice de endividamento do Distrito Federal está próximo da média brasileira. Enquanto o DF registrou 79,7%, o percentual nacional ficou em 80,4% em março. A diferença aparece de forma mais expressiva na inadimplência, já que no DF, o índice alcançou 47,1%, contra 29,6% no país.
Na prática, isso significa que a taxa de famílias com contas em atraso no Distrito Federal está 17,5 pontos percentuais acima da média nacional, evidenciando maior dificuldade de pagamento entre os consumidores locais.
Cartão de crédito lidera
No Distrito Federal, o cartão de crédito segue como principal modalidade de endividamento, presente em 86,9% das dívidas contratadas. O percentual é ainda maior entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, grupo em que o cartão responde por 92,0% das dívidas. Entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos, o índice é de 76,0%.
A pesquisa também aponta que o tempo médio de atraso no pagamento das dívidas é de 68 dias, enquanto o comprometimento médio da renda com dívidas corresponde a 35 semanas. Ou seja, as famílias comprometem a renda por até oito meses até para quitar a dívida por completo.
Apesar da alta inadimplência, o percentual de renda comprometida com dívidas no DF está em 23,6%, abaixo do pico histórico de 35,8%, registrado em agosto de 2016, e também inferior à média nacional observada em março deste ano.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, o cenário indica que, embora o nível de endividamento do consumidor brasiliense esteja em linha com o restante do país, a capacidade de pagamento vem sendo mais pressionada no DF.
“O comportamento do endividamento no Distrito Federal segue próximo ao observado no país, mas o avanço da inadimplência mostra um quadro de maior dificuldade para as famílias honrarem seus compromissos. Juros elevados e inflação persistente continuam pressionando o orçamento doméstico e reduzem a capacidade de pagamento, mesmo em um contexto de maior regularidade da renda, especialmente no setor público”, afirma.
Fonte: Fecomércio-DF







