Da redação
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai implementar um sistema de verificação de chamadas para combater fraudes telefônicas e proteger informações sensíveis dos brasileiros. A nova ferramenta permitirá ao cidadão identificar se uma ligação partiu realmente de uma fonte confiável, mesmo quando golpistas mascaram o número do chamador. O projeto está sendo desenvolvido pelo CPQD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), financiado com R$ 16,82 milhões do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), vinculado ao Ministério das Comunicações, com conclusão prevista para 2028.
A tecnologia utiliza credenciais digitais fornecidas por emissores de confiança, como órgãos governamentais, bancos ou operadoras, armazenadas no celular do usuário. Segundo Andreza Lona, gerente de soluções blockchain do CPQD, a inovação permite autenticação descentralizada, sem grandes bancos de dados, reduzindo riscos de vazamentos. “A origem de uma ligação poderia ser comprovada não só com o número, mas com uma prova criptográfica”, explica Lona.
Essas credenciais digitais possibilitarão a validação de chamadas em aplicativos como WhatsApp, além das ligações tradicionais. Caso a chamada não seja verificada criptograficamente, o usuário será alertado sobre o potencial risco de fraude, mesmo nos casos de spoofing — técnica em que o criminoso simula um número confiável. “Se vem uma chamada de origem fraudulenta que alega ser do banco, não vai ser validada”, afirma o pesquisador Ismael Ávila.
Atualmente, a Anatel já oferece o serviço Origem Verificada, mas a obrigatoriedade de uso ocorre apenas a partir de 2028, e o sistema ainda possui brechas, principalmente para chamadas internacionais e redes antigas. O novo sistema permitirá ainda revogar credenciais em caso de roubo ou perda do celular, evitando acessos indevidos, e possibilitará ao cidadão comprovar informações como renda ou maioridade sem expor dados sensíveis.
Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações, destaca a descentralização proporcionada pela tecnologia: “Você recebe seu certificado, não precisa de intermediário. Não gera risco de grandes vazamentos, pois seria necessário fraudar o celular de cada usuário”.






