Da redação
Com o sucesso da missão Artemis 2, a Nasa comemora um feito histórico, mas já enfrenta novos desafios para consolidar uma presença permanente na Lua e preparar uma futura missão tripulada a Marte. Nomeado administrador da agência em dezembro passado, Jared Isaacman promoveu uma rápida reestruturação no programa Artemis. Dentre as novidades, está a antecipação de testes de pouso lunar tripulado para a Artemis 3, agora marcada para 2027, transferindo o primeiro pouso tripulado para a Artemis 4, em 2028.
As empresas SpaceX e Blue Origin disputam a chance de fornecer os módulos de pouso usados nas missões. O Starship, da SpaceX, e o Blue Moon Mark 2, da Blue Origin, ainda precisam de mais testes, incluindo versões sem tripulação e reabastecimento em órbita. Lori Glaze, gerente de exploração da Nasa, destacou que a introdução da Artemis 3 facilitará a preparação dos módulos, uma vez que permitirá ensaios de acoplagem e desacoplagem em órbita da Terra. O cancelamento da estação Gateway, que dificultava a missão, aliviou os requisitos técnicos.
Apesar dos avanços, o progresso é considerado lento. A SpaceX planeja demonstrar reabastecimento orbital do Starship ainda este ano, enquanto a Blue Origin aposta em adaptar o módulo Blue Moon Mark 1 para uso tripulado, caso a Nasa precise acelerar o cronograma para 2028. Paralelamente, os Estados Unidos enfrentam incertezas orçamentárias: a proposta do governo para o próximo ano prevê corte de quase 25% no orçamento da Nasa, o que pode impactar mais de 40 missões.
O plano reformulado para a Lua prevê três fases, com cerca de US$ 10 bilhões cada, transição de missões robóticas para tripuladas e possível instalação de uma base lunar entre 2026 e 2032. Para a fase 1, estão previstas até 25 missões, sendo apenas duas tripuladas: Artemis 4 e 5. No entanto, problemas técnicos — como falhas em válvulas do módulo de serviço europeu da cápsula Orion durante a Artemis 2 — e a concorrência da China, que planeja o próprio pouso na Lua até 2030, impõem desafios adicionais.
Enquanto os EUA celebram ter retomado a dianteira na corrida lunar, a visão de uma viagem tripulada a Marte permanece distante. Ambos, Estados Unidos e China, olham para o planeta vermelho, mas por ora focam em missões robóticas e desenvolvimento de tecnologias, como propulsão nuclear, para viabilizar o sonho marciano.






