Da redação
Diante do aumento de conteúdos misóginos nas redes sociais e da repercussão de casos de feminicídio e estupros coletivos, escolas no Brasil têm investido em projetos para combater o machismo e a misoginia. Muitas dessas iniciativas partem de grupos de alunas que procuram professores e gestores para relatar situações enfrentadas dentro e fora do ambiente escolar.
No ano passado, a série britânica “Adolescência” (2025, Netflix), que aborda o impacto da cultura misógina de redes sociais no assassinato de uma estudante, impulsionou o debate. Neste ano, o documentário “Por Dentro da Machosfera”, também na Netflix, trouxe mais visibilidade ao tema. Entre os casos recentes que chocaram o país está o estupro coletivo de uma estudante de 17 anos em Copacabana (RJ), ocorrido em janeiro, com a participação de cinco jovens. No Colégio Pedro 2º, após protestos, foi criada uma política de enfrentamento ao assédio.
A misoginia tem papel central no cyberbullying, atingindo especialmente meninas em aplicativos e grupos de fofoca, os chamados “explanas”. Em São Paulo, o Colégio São Domingos suspendeu alunos do 9º ano após mensagens misóginas em grupos de WhatsApp, incluindo um “ranking” de meninas e uso de imagens de cunho sexual e violento. A escola instaurou um grupo de trabalho para definir medidas institucionais e restaurativas.
No Colégio Bandeirantes, o tema foi incorporado ao currículo e a coletivos como o Girl UP, liderado por alunas. “Compartilhamos situações de machismo dentro e fora da escola”, relata Laura, 16, do 3º ano. Em Campinas, o Clube da Lua, formado por alunas da escola municipal Maria Pavanatti Fávaro, solicitou protocolo antimisoginia após relatos de pressão e assédio.
O projeto Juventudes AntiMisoginia, lançado pelo Sesi São Paulo em 2025, abrange cerca de 100 mil alunos em 134 escolas. Com apoio financeiro e formação de professores, o programa incentiva debates e a criação de comitês para ampliar a conscientização, incluindo a participação das famílias. “O combate a essa violência é assunto de todos”, afirma a supervisora Lilian Engracia.






