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Tensão entre EUA e Irã desperta preocupação em Noronha quanto ao fornecimento de energia e água


Da redação

Moradores de Fernando de Noronha estão preocupados com o impacto do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã no abastecimento de serviços essenciais na ilha. A preocupação foi levada pela Assembleia Popular Noronhense (APN) ao ICMBio, após novas restrições ao tráfego no estreito de Hormuz, uma das principais rotas do petróleo mundial.

O estreito de Hormuz, entre Irã e Omã, é estratégico para o escoamento do petróleo produzido em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque. Após um breve cessar-fogo entre EUA e Irã, embarcações voltaram à região, mas novos ataques de Israel ao Líbano motivaram o Irã a bloquear novamente a passagem marítima.

O preço do petróleo fechou a R$ 95,20 na sexta-feira (10) e se aproxima dos US$ 100. Fernando de Noronha depende diretamente do diesel para geração de energia elétrica e para o funcionamento de usinas de dessalinização que fornecem água potável. A ilha conta com um único posto de combustíveis, cujo estoque suporta até um mês, segundo o diretor Rafael Coelho, que não acredita em desabastecimento. O litro do diesel custa atualmente R$ 11,45 e o da gasolina, R$ 10,89 – antes da crise, valiam R$ 9,99 e R$ 10,29, respectivamente.

O presidente da APN, Nino Alexandre Lehnemann, afirma que o isolamento geográfico e a dependência logística deixam a ilha vulnerável. Ele destacou que rupturas no fornecimento de diesel impactariam não só veículos, mas também afetariam a geração de energia, o abastecimento de água, serviços hospitalares, transporte, turismo e a economia local.

Lehnemann informa que questionou autoridades sobre planos de contingência e alternativas energéticas. Segundo ele, a Neoenergia afirmou possuir um cronograma e condições para suportar eventuais problemas de abastecimento. Até o momento, ICMBio, administração de Noronha, Neoenergia e Compesa não responderam aos contatos da reportagem.