Da redação
A Bienal Ibero-Americana de Arquitetura e Urbanismo, considerada um dos eventos mais importantes do setor no mundo, será realizada em Brasília no segundo semestre deste ano, coincidindo com o período eleitoral. A principal exposição acontecerá no Sesi Lab, centro cultural instalado no antigo prédio do Touring Club, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado pouco após a construção da capital federal.
Além do Sesi Lab, a programação ocupará outros seis locais de Brasília, incluindo o recém-restaurado Teatro Nacional. Organizado por arquitetos como o português Nuno Sampaio, diretor da Casa da Arquitectura de Portugal, que abriga acervos de Paulo Mendes da Rocha e Lucio Costa, e o crítico brasileiro Fernando Serapião, o evento utiliza a história da construção de Brasília para debater questões como desigualdade, crise climática e escassez de água.
Denominada “Viver”, a edição deste ano já passou por cidades como Madri, Cidade do México, Santiago, Lisboa e São Paulo. A mostra destaca o contraste entre a aridez do cerrado e a abundância de água subterrânea que permitiu a criação do lago Paranoá, um elemento central para o desenho urbano da capital e exemplo do que os organizadores chamam de “manejo da água como estratégia paisagística”.
O conceito da mostra também ressalta o contraste entre seco e molhado, deserto e oásis, como metáfora para o Brasil, país marcado tanto por festas populares e celebração da vida quanto por graves desigualdades sociais e violência acentuada pela polarização política.
Entre os organizadores estão ainda o designer Marcelo Rosenbaum, responsável pela temática da vegetação, e o arquiteto paraguaio Solano Benítez, premiado com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza há dez anos e agora encarregado do projeto da nova sede do Pompidou em Foz do Iguaçu. Ele abordará a organização de novos territórios durante o evento.






