Da redação
O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) foi preso nesta segunda-feira (13/4) em Orlando, Flórida, pelo serviço de imigração dos Estados Unidos (ICE). Ramagem estava foragido da Justiça brasileira desde setembro do ano passado. A prisão ocorreu após cooperação internacional entre a Polícia Federal (PF) e autoridades policiais norte-americanas, segundo nota divulgada pela PF.
A expectativa da PF é que Ramagem seja deportado ao Brasil após audiência com um juiz de imigração. Sua defesa poderá alegar perseguição política para evitar a extradição, argumento já utilizado por outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro em processos internacionais. Caso o pedido de asilo seja concedido, a deportação pode ser suspensa; caso contrário, a PF espera que Ramagem retorne ao Brasil em poucas semanas. A defesa ainda não se manifestou.
Ramagem teve seu mandato de deputado cassado em dezembro de 2025, junto com Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também residente nos EUA. Em 15 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes solicitou a extradição de Ramagem e o cancelamento de seu passaporte diplomático. De acordo com a PF, ele deixou o Brasil clandestinamente pela fronteira com a Guiana.
Segundo denúncia da Procuradoria Geral da República, Ramagem teria utilizado a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitorar adversários do governo Bolsonaro, além de fornecer material para contestação das urnas eletrônicas e para incentivar a intervenção das Forças Armadas.
Eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022 com 59.170 votos, Ramagem gastou ao menos R$ 532 mil do erário após sair do Brasil e, apenas entre setembro e novembro de 2025, sua estrutura de gabinete custou mais de R$ 100 mil mensais. Em 2024, tentou, sem sucesso, a Prefeitura do Rio de Janeiro.




